Os acidentes aeronáuticos diminuíram 16% em 2015, CENIPA? E se eu disser que o consumo de gasolina de aviação caiu 17% no ano passado?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Voltando ao assunto tratado no post “CENIPA informa redução de 16% nos acidentes aeronáuticos do Brasil – Pode ser uma boa notícia (mas não necessariamente é)“, fui verificar as estatísticas de consumo de combustíveis para aviação no portal da ANP-Agência Nacional do Petróleo, e olhem que interessante:

Segundo aquela agência, o consumo de AVGAS teve uma redução de 17,21% em 2015 contra 2014: foram 63.121,90m³* contra 76.243,82m³. O consumo de querosene de aviação também caiu no ano passado, embora em escala bem menor – redução de 1,64% (7.347.492m³* contra 7.470.225m³). Lembrando que a maior parte do consumo de QAV se dá pelas companhias aéreas e que a quase totalidade dos acidentes/incidentes aeronáuticos ocorre na aviação geral (os únicos cliente de AVGAS), parece-me que este é um bom indicador de que a diminuição das operações aeronáuticas em 2015 foi superior à redução nos acidentes. Ou seja: é no mínimo questionável dizer que houve redução nos acidentes aeronáuticos do Brasil em 2015, muito menos afirmar de que ela foi de 16% – este é só o número absoluto, e ainda por cima não computa os acidentes com a chamada “aviação experimental”.

*Obs.: Os dados da ANP são de janeiro a novembro. Os números de dezembro foram estimados pela média dos 11 meses anteriores.

 

 

8 comments

  1. Sergio Roberto Santos
    4 anos ago

    Meu ponto é que mesmo com a redução do numero de voos, a tendência será de aumento do numero de acidentes. Se houver uma redução neste numero em 2016 com a crise econômica este dado seria extremamente positivo.
    O numero total de acidentes pode até diminuir, o que eu não acredito, mas proporcionalmente este numero irá aumentar infelizmente. Segurança tem um custo e nós estamos em um momento onde a meta é “reduzir custos não importa onde”

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Pode ser, sim, que haja uma piora na segurança da aviação devido à crise, com menos investimento em manutenção, uso de ‘bogus parts’, etc. Bom ponto.

  2. Alisson Santana
    4 anos ago

    Não vejo uma relação direta entre consumo de AVGAS e o índice de acidentes, já que dá pra se abastecer menos e manter o número de voos.

    O cara de Belo Horizonte que costumava ir pescar no Mato Grosso agora resolveu pescar em Furnas. Por exemplo. Vai consumir menos mas vai voar. Lógico que quanto mais tempo operando, maior a o risco. Mais ainda peno que a maior parcela do risco de acidente está na operação em si. Num voo de 1h e num voo de 100h, o risco de acidente é praticamente o mesmo.

    Creio que a relação direta seria com números de pousos e decolagens, e não por consumo.

    Mas eu concordo que a redução no consumo de AVGAS tem influência sim no número de acidentes. O difícil e saber o quanto.

    • Alisson Santana
      4 anos ago

      (…) Mas ainda penso que a maior parcela do risco (…)

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Entendo o que vc está falando, mas o fato é que o que acontece na prática é que o cara não troca o voo BH-MS por BH-Furnas, ele para o avião (“para” do verbo parar, o antigo pára) mesmo, ou vende, ou o deixa sem condições de voo, demite o piloto, etc.

  3. Sergio Roberto Silva dos Santos
    4 anos ago

    Apenas um contraponto.
    Os números indicam que houve um aumento no numero de acidentes nas estradas neste final de ano e também já temos números confiáveis que indicam um aumento significativo no numero de acidentes com eletricidade em 2015.
    Precisaremos ver com cuidado se menor remuneração não significará menor gasto com manutenção, maior sobrevida das aeronaves e uma maior necessidade de horas voadas dos pilotos.
    Na minha opinião, respeito muito a sua, a simples falta do dinheiro compensa, para pior, a redução da demanda causando mais acidentes. Se houver uma redução do numero de acidentes em 2016 será um fator sim a comemorar.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Não entendi seu comentário, poderia explicar melhor?

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