Para Ser Piloto

Formação Aeronáutica, Empregabilidade para Pilotos e Segurança de Voo

23/07/2015
por Raul Marinho
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E a Gol? Está mesmo contratando copilotos?

Depois que publiquei este post sobre a situação atual do mercado de trabalho da aviação, alguns leitores entraram em contato comigo questionando se a Gol ainda estaria contratando copilotos, e se isso não seria um bom sinal em termos de empregabilidade. Sobre este assunto, gostaria de comentar que:

  • De fato, o processo seletivo da Gol para copilotos permanece aberto: de acordo com o portal vagas.com, é possível inscrever-se até 10/ago para participar da seleção. Porém, prestem atenção ao detalhe de que se trata de um “banco de talentos”, ou seja: não é, necessariamente, para contratação imediata.
  • Mas mesmo que a contratação aconteça imediatamente, nada impede que a companhia reverta sua decisão no curto prazo e demita um profissional recém-contratado. Na realidade, isso aconteceu na própria Gol alguns anos atrás, e eu conheço pessoalmente um piloto que foi demitido durante seu treinamento em simulador.

Então, é claro que o fato de a Gol ter um processo seletivo de copilotos em aberto é um sinal positivo em termos de empregabilidade. Mas é preciso entender isto com cautela, não se deixe levar por uma única informação, isoladamente.

 

22/07/2015
por Raul Marinho
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Estão abertas as inscrições para o EPIA em Florianópolis

Estagio de Padronizacao da Instrucao de Voo - EPIA-SC - Divulgacao(1)

SERIPA V promove padronização de instrução aérea em Florianópolis

O Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V) realiza o segundo Estágio de Padronização de Instrução Aérea (EPIA). O evento acontece entre os dias 20 e 21 de agosto, no Centro de Ensino da Polícia Militar (Av. Madre Benvenutta, 265, Bairro Trindade), em Florianópolis-SC.

As inscrições estão abertas até completar o número de vagas oferecidas. Inscreva-se e garanta a sua participação. Para isso, basta enviar um email para inscricao@seripa5.aer.mil.br. O Estágio é totalmente gratuito. Mais informações pelo telefone (51)3462-1333.

Várias entidades já confirmaram presença no evento, que reúne diretores de aeroclubes e de escolas de aviação, gerentes de segurança operacional, instrutores de voo e alunos.

O EPIA é uma atividade de prevenção que oferece boas práticas, além de indicar as ferramentas de padronização para o aperfeiçoamento da atividade aérea de instrutores de voo, cujos benefícios refletem diretamente no bom desempenho de alunos que se preparam para ingressar na profissão.

As palestras são proferidas pelos próprios investigadores do órgão regional e apresentam temas específicos, tais como: o panorama atual da aviação de instrução no Brasil, aspectos psicológicos, didática e comunicação aplicada à instrução aérea, checklist e ocorrências relacionadas, preenchimento de fichas de avaliação, aerodinâmica e desempenho em aeronaves de baixa performance, legislação, erros mais comuns em acidentes de instrução e outros.

De acordo com dados do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), no período de 2004 a 2013, o Julgamento de pilotagem, a aplicação de comandos, a supervisão e o planejamento gerencial são os principais fatores contribuintes que aparecem nas investigações de acidentes da Aviação de Instrução.

Na Região Sul, aeroclubes e escolas de aviação são responsáveis por cerca de 60% das ocorrências aeronáuticas investigadas nos últimos cinco anos, superando os números da Aviação Agrícola e demais segmentos da Aviação Geral.

O EPIA busca mobilizar a comunidade de Aviação de Instrução para o debate de questões relacionadas à Segurança de Voo, proporcionando informações e conhecimentos que podem mudar comportamentos, elevar a segurança e preservar vidas humanas.

Obs.: O texto acima é o oficial do SERIPA-V para a divulgação do evento. Para acessar o que este blog pensa sobre o EPIA, clique aqui.

22/07/2015
por Raul Marinho
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Perspectivas sombrias para a empregabilidade na aviação – mas no longo prazo, estaremos todos vivos!

A despeito desta matéria publicada recentemente pela IstoÉ Dinheiro (que diz que as companhias aéreas “aproveitam a maré baixa da economia brasileira para aumentar suas frotas”) e do famoso relatório da Boeing que prevê a necessidade global de 553mil pilotos nas próximas duas décadas, o fato é que, no curto prazo ao menos, o atual cenário econômico deverá causar estragos para a empregabilidade de pilotos. Uma matéria publicada simultaneamente ontem n’O Globo e no Valor Econômico aponta para uma perspectiva bem mais sombria do que a sugerida pela IstoÉ, e parece que as companhias aéreas deverão mesmo é aproveitar a maré baixa para fazer cortes, como anunciou a TAM no início desta semana – que, mesmo que não resultem na demissão imediata de pilotos (afinal, pelo que se sabe, a escala na empresa estaria bastante apertada, atualmente), tampouco deve motivar a empresa a contratar aeronautas tão cedo.

O fato de a aviação brasileira estar enfrentando uma crise não é algo inédito para quem já atua na área (e nem é preciso ser um veterano para já ter passado por situações desta natureza antes). Mas e quanto aos recém-formados ou interessados em ingressar na carreira de piloto? Bem… Eu já disse isso, mas não custa repetir: há aproximadamente dez anos, tínhamos o Caos Aéreo que sucedeu ao acidente do Gol-1907 acontecendo junto com a falência da maior e mais tradicional companhia aérea que o Brasil já teve (Varig), e logo em seguida passamos por um fase bastante favorável à empregabilidade de pilotos. De 2008 a 2011, o país gerou mais vagas de trabalho para pilotos de avião do que formou pilotos comerciais – vide este post, em que explico o IEP-Índice de Empregabilidade de Pilotos.

Por outro lado, com o estouro da bolha do “apagão de pilotos”, os aeroclubes/escolas de aviação estão muito mais propensos a conceder descontos ou condições vantajosas para quem quer levar sua formação aeronáutica adiante, e as escalas estão muito mais tranquilas para quem pretende aprender a voar. Então, para quem tem o legítimo interesse em se tornar piloto, o momento é favorável: essa crise vai passar, e o Brasil uma hora encontra seu caminho de crescimento de novo – muito embora as coisas ainda devam piorar antes de começar a melhorar. O grande “truque” é não depender dessa retomada para sobreviver, pois nunca se sabe quando ela irá acontecer – ou seja: não dá para saber o quão longo é este prazo de recuperação -, daí a necessidade de se ter alternativas para subsistir com atividades “terráqueas” enquanto a aviação não voltar a oferecer boas oportunidades. Mas quem tiver estratégia e persistência chega lá!

22/07/2015
por Raul Marinho
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Sexta-feira (24/07) estarei em BH/Carlos Prates

Na próxima sexta-feira (24/07), vou apresentar uma palestra sobre empregabilidade na aviação durante o evento SNA Itinerante que irá ocorrer em Belo Horizonte, no auditório do Aeroporto Carlos Prates ao meio-dia.

…E não é por nada, não, mas a apresentação está muito legal! Compareça, vai valer a pena!

20/07/2015
por Raul Marinho
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TAM anuncia cortes

Acabou de sair publicado no G1 a informação de que a “TAM fará redução de até 10% de operações no mercado doméstico“, mas que “os cortes de funcionários não atingirão a tripulação”. Tomara que não mesmo, mas convenhamos: se a empresa não demitir tripulantes, ela diminuirá sua eficiência operacional e, por conseguinte, sua margem. Então, das duas uma: ou a TAM tem um plano de, deliberadamente, sacrificar o lucro; ou essa história não é bem assim. De qualquer maneira, mesmo que ela realmente não demita tripulantes, tampouco deverá contratá-los, que é o que o mercado precisa.

17/07/2015
por Raul Marinho
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Hoje é dia 17 de julho, a data mais importante da aviação brasileira

Hoje, 17 de julho, não é o dia em que Santos Dumont nasceu, morreu, ou fez seu primeiro voo no 14Bis. Também não é o dia em que o  a primeira aeronave voou no país, em que o primeiro brasileiro se brevetou, a data da criação da EMBRAER, nem nada disso. Hoje é o dia em que aconteceu o que está escrito abaixo, gravado num monumento em uma praça próxima ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo-SP:

Memorial-17-de-julho

É uma data triste, sem dúvida. Mas por que é também a data mais importante da aviação brasileira, na opinião deste blog? Porque hoje é o dia para refletirmos se estamos nos esforçando para termos uma aviação mais ou menos segura do que tínhamos em 2007. O que se fez, de lá para cá, no sentido de tornar nossos céus mais seguros? E o que se está fazendo neste sentido, para o futuro? Hoje é o dia de pensarmos sobre isso.

Por coincidência, neste exato momento está em discussão a nomeação de novos diretores para a ANAC. Serão estes profissionais os principais responsáveis pela não repetição de eventos como o que aconteceu em 17 de julho de 2007. Então, a pergunta é: serão estes cidadãos capazes de melhorar as condições de segurança de voo no Brasil nos próximos anos? É isto o que importa, no fim das contas. E é isto o que os senadores que irão sabatinar os candidatos a diretor da ANAC têm que investigar.

17/07/2015
por Raul Marinho
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Turbulências no processo de escolha de diretores para a ANAC

Foi o próprio Diretor-Presidente da ANAC quem alertou, ainda em janeiro deste ano, que a Agência estava correndo o risco de ser paralisada devido à falta de quórum mínimo na diretoria colegiada para a tomada de decisões importantes. Mas março chegou, venceu o mandato do Diretor Ricardo Bezerra, e desde o dia 19 daquele mês só existem 2 componentes na diretoria da ANAC.

Algumas semanas atrás, porém, tudo parecia mudar: a presidente Dilma indicou dois nomes para serem sabatinados pelo Senado que, uma vez aprovados, seriam nomeados diretores da agência. Ocorre que as escolhas para a diretoria da ANAC não foram das mais felizes, e entidades do setor como a APPA começaram a protestar. Não demorou, o assunto ganhou a imprensa escrita, e agora chegou à TV e ao rádio:

  • O Jornal da Globo veiculou ontem uma extensa matéria, apresentada pelo jornalista William Waak, explicando toda a questão, especialmente porque um diretor da ANAC precisa ser um profissional com muita experiência na aviação; e
  • A CBN levou ao ar hoje um comentário do seu articulista Arnaldo Jabor relacionando a questão à segurança de voo (o exemplo utilizado foi o do acidente da TAM em 2007).

(Na verdade, até a ANAC emitiu uma nota esclarecendo alguns pontos sobre este assunto).

A sabatina dos candidatos a diretor da ANAC só ocorrerão após o retorno do recesso do Senado, em agosto. E, dada a turbulência que está acontecendo na imprensa, é provável que o processo de nomeação seja, no mínimo, estendido por algumas semanas ou meses (isso se os nomes não forem sumariamente rejeitados). Aí, meus caros, nós entraríamos em setembro sem uma diretoria colegiada com quórum mínimo na ANAC, e no dia 21 daquele mês as “bombas-relógio do RBAC-61″ estão programadas para “explodir”. Ou seja: a não ser que o diretor-presidente tome uma decisão ad referendum sobre as questões das provas teóricas de PP/PLA e das 200h de voo em comando para INVA/Hs – o que nunca aconteceu antes em relação ao RBAC-61 -, é bastante provável que essa “bomba” realmente “exploda”…

15/07/2015
por Raul Marinho
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O editorial do Estadão de hoje sobre a indicação do novo diretor da ANAC

Já critiquei o jornal O Estado de São Paulo diversas vezes aqui no blog. Só que hoje, no editorial “Dilma, o líder e o genro do lider“, sobre a escandalosa indicação do genro do Senador Eunício Oliveira para a diretoria da ANAC, o jornal compensou todos os seus equívocos anteriores. Com folga. O texto não poderia ser mais correto. Parabéns, Estadão!

15/07/2015
por Raul Marinho
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Ainda a questão do treinamento de parafusos nos cursos de PPA e PCA – O curso de “Manobras de Confiança” oferecido pela EJ

Dando prosseguimento ao debate sobre o treinamento de parafusos, amplamente discutido no blog, vejam só que interessante este treinamento que está sendo oferecido pela EJ. No “Curso Manobras de Confiança“, realizado exclusivamente nos C-152 Aerobat e com um instrutor ex-AFA, são realizadas oito missões de 40min. cada para treinar as manobras acrobáticas básicas, situações de desorientação espacial, recuperação de estol e, é claro, recuperação de parafusos. (Antes que me perguntem: não sei quanto custa; aos interessados, sugiro procurar diretamente a escola para mais informações). O pré-requisito é ter a licença de PPA, e as horas de voo do treinamento podem contar para os cursos de PC ou de INVA. Segundo me informaram, o treinamento será requisito obrigatório para os candidatos a INVA na escola.

O curso é, obviamente, opcional. Pelo regulamento, só é obrigatório o treinamento de parafusos para obter a licença de PCA (no PPA, o treinamento é “quando possível”…), e não se especifica exatamente que parafuso é este (uma volta? meia volta? um quarto de volta?). Mas, em minha opinião, saber sair de atitudes anormais (e o parafuso é uma delas) seria uma habilidade altamente desejável para pilotos – que, até agora, tinham muito poucas opções para efetuar esse tipo de treinamento. Por isso, acho muito  positiva essa iniciativa da EJ, e vou além: conforme dizia o Cmte. Rolim, “quem não tem inteligência para criar tem de ter coragem para copiar”. Entenderam o recado?

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